segunda-feira, junho 30, 2008

HISTÓRIA DA MÚSICA



HISTÓRIA DA MÚSICA – INTRODUÇÃO: ORIGENS
Como raízes da música, criam-se a expressão de sentimentos pela voz humana e o fenômeno natural de soar de duas ou várias vozes em conjunto. Assim sendo, aquele seria a raiz da musica vocal e este a raiz da musica instrumental. Evoluindo um pouco mais nessa direção, há que se entender que a música nasceu com a natureza, considerando que seus elementos formais, o som e ritmo, fazem parte do universo e, particularmente da estrutura humana. Por esta razão, acredita-se que a música tenha surgido a 50.000 anos atrás, onde as primeiras manifestações tenham sido feitas no continente africano, expandindo-se pelo mundo com o dispersar da raça humana pelo planeta.
É exatamente Cande (1994) quem primeiro propõe uma seqüência de eventos que pode determinar as origens da expressão musical. Primeiramente os antropóides do terciário que efetuavam batidas com bastões, percussão corporal e objetos entrechocados. Depois vieram os hominídeos do paleolítico inferior, onde a manifestação de gritos e a imitação de sons da natureza se fizeram presentes. No paleolítico médio, ocorre o desenvolvimento do controle da altura, intensidade e timbre da voz à medida que as demais funções cognitivas se desenvolviam, culminando com o surgimento do Homo sapiens por volta de 70 mil a 50 mil anos atrás. Cerca de 40 mil anos atrás vem a criação dos primeiros instrumentos musicais para imitar os sons da natureza e também ocorre o desenvolvimento da linguagem falada e do canto. É entre 40 mil e 9 mil a.C que se dá a criação de instrumentos mais controláveis, feitos de pedra, madeira e ossos, como os xilofones, litofones, tambores de tronco e flautas. É por aí que é encontrado um dos primeiros testemunhos da arte musical: na gruta de Trois Frères, em Ariége, na França, onde se distingue um tocador de flauta ou arco musical. Esta pintura foi datada como tendo sido produzida em cerca de 10 mil a.C. No neolítico, cerca de 9 mil anos a.C, ocorre a criação de membranofones e cordofones, após o desenvolvimento de ferramentas, sendo estes, portanto, os primeiros instrumentos afináveis. Já cerca de 5 mil anos a.C, se dá o desenvolvimento da metalurgia com a criação de instrumentos de cobre e bronze, permitindo a execução mais sofisticada. É neste período que se dá o estabelecimento de aldeias e o desenvolvimento de técnicas agrícolas mais produtivas e de uma economia baseada na divisão do trabalho, permitindo que uma parcela da população possa se desligar da atividade de produzir alimentos. Isso leva ao surgimento das primeiras civilizações musicais com sistemas próprios, ou seja: escalas e harmonia.
Na literatura musical é encontrado que na pré-história o homem se encantou e descobriu a sua voz e os sons que o cercavam no ambiente e aprendeu a distinguir os timbres característicos da canção das ondas se quebrando na praia, da tempestade se aproximando e das vozes dos vários animais selvagens. No entanto, neste período não se configura arte, sendo, pois, uma expansão impulsiva e instintiva do movimento sonoro ou apenas um expressivo meio de comunicação, sempre ligada às palavras, aos ritos e a dança. Fica claro, portanto, que o ser humano deste período já produzia uma forma de música que lhe era essencial, pois sua produção cultural constituída de utensílios para serem utilizados no dia-a-dia, não lhe bastava, isto porque era na arte que o ser humano encontrava campo fértil para projetar seus desejos, medos, e outras sensações que fugiam a razão. Diferentes fontes arqueológicas, em pinturas, gravuras e esculturas, apresentam imagens de músicos, instrumentos e dançarinos em ação, no entanto não é conhecida a forma como esses instrumentos musicais eram produzidos.
É encontrado na literatura que no período pré-histórico o mistério continuou a envolver a música da antigüidade, pela ausência do próprio elemento sonoro, que se desfez no tempo e, ainda, pela inexistência de uma notação musical clara e documentação suficiente. Porém, sabe-se que nas antigas civilizações já havia o cultivo da música como arte em si mesma, embora ligada à religião e à política. Também encontra-se registros em que muitas obras de arte da Antigüidade mostram músicos e seus instrumentos, entretanto não existem conhecimentos sobre como os antigos faziam seus instrumentos. Apenas umas poucas peças completas de música da Antigüidade ainda existem, quase todas do povo grego.
Em estudos realizados encontra-se nesta época instrumentos onde se verifica aperfeiçoamento na construção e elaboração destes, com valorização do timbre. Daí, entre os vestígios remanescentes das grandes civilizações da antiguidade, foram encontrados testemunhos escritos em registros pictóricos e escultóricos de instrumentos musicais e de danças acompanhadas por música. Exemplo disso, na cultura sumeriana, que floresceu na bacia mesopotâmica vários milênios antes da era cristã, incluía hinos e cantos salmodiados em seus ritos litúrgicos, cuja influência é perceptível nas sociedades babilônica, caldéia e judaica que se assentaram posteriormente nas áreas geográficas circundantes. Entende-se com isso que das grandes civilizações do mundo antigo, foram encontrados vestígios da existência de instrumentos musicais em diferentes formas de documentos, entre eles, o registro dos sumérios que tiveram o auge de sua cultura na bacia mesopotâmia a milhares de anos antes de Cristo, utilizando em sua liturgia, hinos e cantos salmodiados, influenciando as culturas babilônica, caldéia, e judaica, que mais tarde se instalaram naquela região.
Já no antigo Egito, cuja origem agrícola se evidenciava em solenes cerimônias religiosas que incorporavam o uso de harpas e diversas classes de flautas, alcançou também alto grau de expressividade musical. É registrado que por volta de 4.000 a.C., as pessoas batiam discos e paus uns contra os outros, utilizavam bastões de metal e cantavam. Posteriormente, nos grandes templos dos deuses, os sacerdotes treinavam coros para cantos de música ritual. Os músicos da corte cantavam e tocavam vários tipos de harpa e instrumentos de sopro e percussão. As bandas militares usavam trompetes e tambores.
Também é encontrado que o povo palestino provavelmente não criou tanta música quanto os egípcios. A Bíblia contém a letra de muitas canções e cânticos hebraicos, como os Salmos, onde são mencionados harpas, pratos e outros instrumentos. A música no templo de Salomão, em Jerusalém, no século X a.C., provavelmente incluía trompetes e canto coral no acompanhamento de instrumentos de corda.
É encontrado na literatura que na Ásia, onde a influência de filosofias e correntes religiosas como o budismo, o xintoísmo, o islamismo, dentre outras, foi determinante em todos os aspectos da cultura, e também se constata que os principais focos de propagação musical foram as civilizações chinesa, do terceiro milênio antes da era cristã, e indiana.
Os antigos chineses acreditavam que a música possuía poderes mágicos, achavam que ela refletia a ordem do universo. A música chinesa usava uma escala pentatônica (de cinco sons), e soava mais ou menos como as cinco teclas pretas do piano. Os músicos chineses tocavam cítara, várias espécies de flauta e instrumentos de percussão.
As tradições musicais da Índia remontam ao século XIII a.C., onde o povo acreditava que a música estava diretamente ligada ao processo fundamental da vida humana. Na Antigüidade, criaram música religiosa e por volta do século IV a.C. elaboraram teorias musicais. Os músicos tocavam instrumentos de sopro, cordas e percussão. A música indiana era baseada num sistema de tons e semitons; em vez de empregar notas, os compositores seguiam uma complicada série de fórmulas chamadas ragas. As ragas permitiam a escolha entre certas notas, mas exigiam a omissão de outras. Verifica-se, portanto, que na Ásia, a 3.000 a.C., a música se desenvolvia com expressividade nas culturas chinesa e indiana, onde os chineses acreditavam no poder mágico da música, como um espelho fiel da ordem universal. Já na Índia, por volta de 800 anos a.C., a música era considerada extremamente vital, uma vez que possuíam uma música sistematizada em tons e semitons, e não utilizavam notas musicais, cujo sistema denominava-se “ragas”, que permitiam o músico utilizar uma nota e exigia que omitisse outra.
No que concerne ao Ocidente europeu, este possuía uma tradição pré-histórica própria. É bem conhecido o papel preponderante assumido pelos druidas, sacerdotes, bardos e poetas, na organização das sociedades celtas pré-romanas. Isto porque, é registrado que a tradição musical da Anatólia penetrou na Europa através da cultura grega, cuja elaborada teoria musical constituiu o ponto de partida da identidade da música ocidental, bastante diversa da do Extremo Oriente.
Os gregos usavam as letras do alfabeto para representar notas musicais. Agrupavam essas notas em tetracordes (sucessão de quatro sons). Combinando esses tetracordes de várias maneiras, os gregos criaram grupos de notas chamados modos. Os modos foram os predecessores das escalas diatônicas maiores e menores. Os pensadores gregos construíram teorias musicais mais elaboradas do que qualquer outro povo da Antigüidade. Pitágoras, um grego que viveu no século VI a.C., achava que a Música e a Matemática poderiam fornecer a chave para os segredos do mundo. Acreditava que os planetas produziam diferentes tonalidades harmônicas e que o próprio universo cantava. Essa crença demonstra a importância da música no culto grego, assim como na dança e nas tragédias.
Há que se observar que a teoria musical só começou a ser elaborada no século V a.C., na Antiguidade Clássica. São poucas as peças musicais que ainda existem deste período, e a maioria são gregas. Na Grécia a representação musical era feita com letras do alfabeto, formando “tetracordes” (quatro sons) com essas letras. Foram os filósofos gregos que criaram a teoria mais elaborada para a linguagem musical na Antiguidade. Pitágoras acreditava que a música e a matemática formavam a chave para os segredos do mundo, que o universo cantava, justificando a importância da música na dança, na tragédia e nos cultos gregos.
Está registrado que os romanos copiaram teorias musicais e técnicas de execução dos gregos, mas também inventaram instrumentos novos como o trompete reto, a que chamavam de tuba. Usavam freqüentemente o hydraulis, o primeiro órgão de tubos; o fluxo constante de ar nos tubos era mantido por meio de pressão de água.
Também é encontrado que a música americana pré-colombiana possui acentuado parentesco com a chinesa e a japonesa em suas formas e escalas, o que se explica pelas migrações de tribos asiáticas e esquimós através do estreito de Bering, em tempos remotos.
No continente africano, a cultura musical não-árabe peculiariza-se por complexos padrões rítmicos, embora não apresente desenvolvimento equivalente na melodia e na harmonia.
Daí, contudo, há que se vislumbrar que em comparação com a música primitiva dos primeiros séculos da nossa era, a arte musical realizou, depois, progressos muito grandes que podem ser caracterizados como crescente complexidade, cujo ponto mais alto seria, modernamente, a música serial ou dodecafonica. Mas não era menos complexa, embora em outros sentidos, a musica polifônica dos sécs. XV e XVI, que culminou, na primeira metade do séc. XVIII, na arte de Bach. O progresso da complexidade sempre foi interrompido por épocas de maior simplicidade, da qual é exemplo música monódica ou homófona do Barroco e do séc. XVIII, podendo-se registrar uma alternância de épocas de polifonia e outra de monodonia, sem que esta ou aquela modalidade possa ser considerara superior a outra.
Em suma, a realização de tal estudo é conteúdo da História da Música, que é uma divisão da musicologia e da teoria musical, voltada para as origens e evolução da música ao longo dos tempos, sendo uma disciplina inserida na história da arte.

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